O que nos faz progredir todos os dias?

Nos últimos dois anos eu viajei frequentemente para São Paulo, a capital brasileira dos negócios. Quem vive o mundo empresarial, corporativo, startups e inovação sabe que é lá que tudo acontece!

Durante essas viagens, muitas vezes eu me peguei refletindo sobre a função do espírito competitivo no nosso progresso pessoal e profissional.

Desde crianças somos instigados a sermos os melhores em tudo. E depois de adultos tomamos contato com uma crença popular que diz que ser competitivo é natural e bom. A nossa cultura é pautada na liberdade, oportunidade e competição, basicamente estamos falando do livre mercado, onde os melhores vencem! Isso nos lembra também a teoria evolucionista de Darwin, os seres mais aptos permanecem.

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FONTE: UNSPLASH

Por outro lado, vivemos em um ambiente extremamente polarizado que pede cada vez mais por humanidade, proximidade e desenvolvimento sustentável. No mundo corporativo, a saturação dos mercados e a necessidade de sermos mais criativos e inovadores nos conduz para uma nova tendência que vem inundando o ecossistema de startups e empreendedores que buscam a inovação: interação e troca. Bem vindo à era do compartilhamento!

Agora tudo fica um pouco confuso… Ser competitivo para ser ‘o melhor’ e, ao mesmo tempo, ter que compartilhar, conversar e aproximar-se das pessoas. A meu ver a competição tem dois lados, ela poder ser tão positiva quanto prejudicial, dependendo da forma como a encaramos.

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FONTE: UNSPLASH

A competição sadia, que faz pessoas e negócios progredirem, tem como ponto de referência para comparação nós mesmos. Isso é o que nos move para frente, que estimula nossa capacidade de superação e potencializa nossos talentos únicos. Uma comparação justa. Perguntas que podem nos guiar para a competição sadia:

  • Como eu posso usar meus talentos únicos para entregar ainda mais valor?
  • O que podemos fazer melhor amanhã do que já fazemos hoje?
  • Como podemos reinventar o que fazemos hoje?

A competição que nos faz progredir é aquela que compara o ‘Eu de Hoje’ com o ‘Eu de Ontem’.

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FONTE: UNSPLASH

O lado sombrio da competição é quando temos como referência outras pessoas ou empresas. Esse nosso lado competitivo está ativado quando buscamos ser o profissional que quer estar acima dos colegas, a empresa que é melhor que a concorrente, o esportista que performa melhor que o outro, a pessoa mais elogiada, bonita e inteligente do ambiente. Você já esteve numa situação assim?

A competição que nos impede de avançar é aquela que nos faz querer ser melhor que o outro. A síndrome da ‘grama do vizinho é mais verde’.

Essa comparação com o outro como forma de ser melhor nos traz 2 prejuízos:

  1. Redução da EMPATIA: Cria uma divisão de imagem entre ‘eu’ e ‘você’, onde eu automaticamente me considero o ‘lado bom’ e coloco você no ‘lado ruim’. Essa divisão imaginária de bom/mau cria associações mentais muito prejudiciais como por exemplo “eu sou melhor que ele” e “eu mereço essa promoção mais do que ela”. Com isso temos uma redução dramática da nossa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e, por conseguinte, perdemos substancialmente a qualidade das nossas relações pessoais e profissionais.
  2. Aumento da sensação de INCAPACIDADE: Quando nos comparamos com o outro acabamos sendo injustos conosco ao passo que estamos comparando ‘bananas com maçãs’. Cada ser humano e organização conta com um conjunto de talentos ou capacidades únicas. Ao mirarmos no outro, vemos apenas o que ele tem de melhor, e não percebemos suas lacunas ou capacidades menos desenvolvidas. Queremos ter tudo que já temos de bom, mais tudo que o outro tem de bom. Essa soma costuma ser invariavelmente inatingível. Ao não conseguirmos atingir o ideal de comparação criado, nos sentimos incapazes, frustrados ou até vítimas.

A palavra competição precisa ser desmistificada e talvez até resignificada, para dar conta das mudanças que vivemos hoje. Competir de forma saudável e produtiva depende de  termos clareza das nossas forças e do nosso propósito, tendo consciência de que os únicos capazes de nos derrubar somos nós mesmos. Quando nos aproximamos de colegas, parceiros, empreendedores e pessoas com interesses semelhantes temos muito a aprender e crescer em conjunto. A competição saudável nos permite usufruir sem medo da Era do Compartilhamento, que é um motor propulsor para a inovação disruptiva porque estimula a criatividade, cocriação, colaboração e criação de valor para a sociedade.

Lembre-se: seja melhor hoje do que você foi ontem!

FEATURED IMAGE CREDIT: UNSPLASH
RafaelaSanzi

Rafaela P. Sanzi
Master in Business Administration.
Especialista em empreendedorismo e inovação.
Consultora empresarial.

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