Ser escritora… Um talento, uma paixão ou um sonho?

Eu poderia começar todos os texto que eu escrevo com um aviso: não assuma as próximas linhas como uma recomendação, mas apenas como uma reflexão pessoal que pode vir a ser útil ou não para você.

É engraçado re-acessar meus arquivos de memórias da infância em busca das cenas em que eu escrevia. Será que eu comecei a pegar gosto pelo conjunto papel+caneta quando escrevia cartas às amiguinhas da escola aos 8 anos?! Na altura escrevia em papéis de carta coloridos e ilustrados – pergunto-me se isso ainda existe – e lembro de escrever fácil a folha inteira.

Também tinha o hábito de convidar todas amigas da escola a deixar uma dedicatória no dia do respectivo aniversário na minha agenda. Adorava ler aquelas mensagens carinhosas todas juntas ao final do ano e perceber que, ano após ano, algumas pessoas sempre estavam lá, por outro lado haviam sempre pessoas novas, novas amizades.

Sigo buscando nos meus registros algo que afirme a origem do meu gosto pela escrita.

Talvez o marco mesmo tenha sido ter escrito uma estória/ livro inteiro por volta dos 10 anos. Livro este que recentemente reescrevi e presenteei minha afilhada de 7 anos. Não importa tanto para mim o que me motivou a escrevê-lo. O fato é que mexeu muito comigo, na época e até hoje.

Depois disso veio a fase dos diários ultrasecretos da adolescência trancados a chave e as cartas de amor nunca entregues. Eram tantas emoções que não cabiam em mim. Eu precisava mesmo colocá-las para fora. Nessa época, mais do que nunca o papel e a caneta foram grandes aliados.

Não sei dizer bem o que aconteceu depois… Houve um longo período de escuridão e ausência da palavra escrita. O mundo tornou-se hostil e inabitável pra mim. Eu já não conseguia me expressar, mal navegava. Eu perdi a minha ferramenta mais íntima de sustentação. Não me achava mais capaz de usá-la, ou seria merecedora?

O mundo das emoções se fechou e só tornou a abrir novamente 15 anos depois.

Coincidência ou não, o meu reencontro com a escrita se deu quando eu experimentei novas formas de amar. Quando eu me abri novamente para a vida e mergulhei fundo no meu desconhecido. Foi quando as palavras tornaram a verter de mim.

A porta se abriu. Eu escrevi poemas, retornei aos diários. Escrevi quase que diariamente. Foi então que eu senti que montanhas se moviam no meu interior. Quanto mais escrevia, mais me descobria.

Num processo quase que natural eu senti necessidade de extrapolar o caderno e escrever publicamente o que eu pensava e sentia. Novas sensações viriam com isso, o frio na barriga, o medo da reprovação. A verdade é que nada disso me impediu e mais me fortaleceu.

Quando escrevo o pensamento se organiza e mais clareza tenho das opiniões, menos receio tenho em manifesta-las em alto e bom tom.

Se existe um marco na minha vida, este marco é a escrita.

Sinceramente, como se manifesta em mim, eu não sei dizer se escrever é um talento pessoal ou é uma ferramenta simples ao alcance de todos, mas na minha vivência a escrita é afirmativa, poderosa e prazerosa!

Escrever é um meio de produção e reprodução da minha essência.

Você támbem tem uma experiência especial e particular com a escrita?! Conte-me

RafaelaSanzi

Rafaela P. Sanzi
Master in Business Administration.
Especialista em empreendedorismo e inovação.
Consultora empresarial.

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