Odara e seus deliciosos alfajores

Odara, recheado com paz e tranquilidade. E foi assim: amor à primeira vista pelo produto, pela marca e por tudo que a envolve. Conhecí a marca de alfajores há alguns anos, enquanto em meio à reuniões e cafés me deparei com estes pecaditos. Os deliciosos alfajores estão presentes em inúmeras lojas do sul do país e são uma tentação. A marca expressa um estilo de vida, uma visão de mundo e busca levar aos seus consumidores a tranquilidade que todo pôr-do-sol traz. Entramos em contato e Jeison Scheid, sócio-proprietário da marca, nos recebeu de braços abertos para um bate-papo interessante onde nos conta como foi os bastidores da criação deste império doce e de onde surgiu a ideia de criar o negócio. Trouxemos um pouco desta inspiradora história para vocês.

Attached: Como foi a criação da Odara?

Jeison: Em 2013 eu estava morando em Porto Alegre e decidi sair da cidade. Havia uma amiga que fazia alfajores deliciosos e vendia em um parque em Porto Alegre, o Marinha. Só que ela decidiu se mudar para a Chapada Diamantina e parou de produzir. Neste mesmo período, eu me mudei para Santa Catarina. Lá é um destino onde muitos turistas argentinos costumam frequentar. Inspirado no estilo de vida no litoral e nos hábitos de consumo deles, decidi que poderia empreender algo neste sentido.


Odara significa Paz de Espírito, que era o que estávamos em busca quando fomos pra lá. Assim que decidimos o nome do nosso produto e aprendemos a fazê-lo, começamos a produzir de forma artesanal. No início investimos bem pouco e preparávamos algo em torno de 50 a 60 unidades por dia. Tínhamos adesivos e embalagens com a marca e cada produto era embalado artesanalmente. O cuidado que tivemos desde o início com cada produto preservamos até hoje, priorizando sempre a qualidade e o sabor artesanal. Hoje em dia, nosso processo é amplo e contamos com uma estrutura que nos possibilita produzir mais de 10 mil alfajores por dia. Mantemos a qualidade em tudo o que fazemos e por isso o nosso grande objetivo é crescer, mantendo o cuidado que faz a marca ser o que é.

Nos posicionamos como um produto premium e queremos estar presente em todos os momentos do nosso consumidor. Por isso estamos presentes em cantinas, restaurantes, bares, cafés e mercados. Além disso, temos e-commerce e a loja física também, que fica na Rua Visconde de Rio Branco, no Bairro Floresta em Porto Alegre. Anteriormente a nossa fábrica ficava logo alí em frente e recebíamos muitas pessoas no local que tentavam comprar o nosso produto. Decidimos então fazer uma experiência diferente e aberta ao público no local, com um espaço bem legal. Temos outros produtos da marca que vendemos também, todos alinhados com a nossa vibe: Ecobag, camisetas, guarda-sol, frescobol, cuia, tudo o que inspira o estilo de vida na praia. Tentamos levar o pôr-do-sol e o gostinho da marca para as pessoas.

A: O Caetano Veloso tem uma música que se chama Odara e o espírito da marca e a essência da música têm tudo a ver. Ele já entrou em contato com o produto de vocês?

J: Acreditamos que sim, mas de uma forma orgânica por fontes relacionadas à nós. Não entramos em contato diretamente. A música do Caetano tem o conceito alinhado com a nossa essência de marca, que tem a visão de paz de espírito e de enxergar a vida desta forma. Na verdade o nome Odara tem este significado e a criação do nosso produto foi a partir do mesmo significado, não exatamente pela música em si. É um nome forte e marcante que está alinhado com a marca.

A: Quem é o público de vocês?

J: O nosso público é amplo e temos fãs bem engajados pela nossa marca. Sabemos que a maior parte são mulheres, com faixa de idade entre 18 e 35 anos. No geral, elas consomem mais doces do que os homens. Mas temos clientes de todas as idades.

A: O que é mais inspirador no trabalho de vocês?

J: Temos muitas coisas que nos inspiram no dia-a-dia. Recebemos muitos feedbacks positivos e gostamos muito de interagir com as pessoas. É muito legal trabalhar com um produto de boa qualidade, que é apreciado por todos. Temos uma responsabilidade social muito grande também. Hoje temos 20 funcionários e somos muito felizes em fazer parte da vida deles. Trabalhamos com pessoas que vêm de várias partes de Porto Alegre e procuramops fazer a diferença na vida destas pessoas e suas famílias. É muito gratificante como empregador trazer benefícios para as vidas ao nosso redor.

A: Como vocês imaginam a Odara do futuro?

J: Ano passado fizemos um planejamento comercial e já estamos com planos para os próximos 5 anos. O nosso grande objetivo é ser referência em alfajores de qualidade no Brasil. Queremos crescer ainda mais como marca, mantendo sempre nossa qualidade. Sabemos da tendência por produtos saudáveis e estamos estudando outras formas de produzir produtos veganos e sem lactose, para alcançar um mercado diferente, com produtos mais saudáveis. O grande objetivo é crescer sem perder a essência do que estamos fazendo, desde o início.

Aqui dentro adotamos diariamente medidas responsáveis, como cuidar dos nossos resíduos – mesmo que o custo para isso seja maior. São pequenas coisas que fazemos que mantém a corrente do bem. Fazemos ações sociais e esportivas, apoiando a prática e a manutenção da saúde das pessoas. Contribuímos com projetos sociais, como o Porto Alegre em Cena e acreditamos no fortalecimento da cultura local. Temos o nosso olhar e a forma de fazer as coisas alinhados de forma séria e responsável. O consumidor percebe isso através dos nossos valores de marca.

A: O que vocês diriam para as pessoas que estão buscando empreender?

J: Para empreender talvez a maior e melhor característica que seja preciso é a persistência. No início não fizemos plano de negócio. Às vezes é mais importante você tirar do papel do que ter um negócio perfeito até iniciar. Você precisa testar, botar a cara e fazer acontecer. Talvez isso seja mais importante do que qualquer outra coisa. Isso sim é empreendedorismo. Se estivéssemos investido muito no início também teríamos errado muito. Iniciamos nossa história cozinhando com uma panela em casa. Quando começamos a adquirir nossos maquinários, era porque já estávamos um passo à frente. Íamos ampliando nossos investimentos conforme precisávamos, e não o inverso. Foi um caminho que foi acompanhando o nosso crescimento. Dávamos um passo e esperávamos esticar a corda para crescermos. Nós também já erramos muito, comprando máquinas erradas e tivemos que vendê-las. Isso faz parte do processo. O que você não pode é desistir. Persistência é a maior qualidade que você deve ter. Você tira do papel e vai desenvolvendo o negócio do meio do caminho. Conhecemos pessoas que têm ideiais geniais mas que não conseguem dar o próximo passo porque não têm demanda para isso. A sua ideia pode ser linda, mas se você não possui quem consuma o seu produto não adianta nada. O planejamento é necessário, mas só na prática você analisa a demanda que existe. Você sente as pessoas, vê o que elas procuram. Vemos também pessoas que iniciam um negócio sem ter ideia de como será o dia-a-dia da operação, e depois descobrem que não faz sentido para a sua vida aquilo. Você precisa de identificar com o que está fazendo.

A: Se você pudesse voltar no tempo e falar algo que pudesse fazer a diferença para você mesmo, ao início de tudo, o que falaria?

J: Eu sempre fui aquele empreendedor mais coração do que razão. Sempre fui mais sensitivo e impulsivo do tipo “Vai lá e faz”, e hoje vejo que se tivesse falado com mais pessoas, trocado mais ideias, buscado mais informações, isso talvez teria feito com que evitasse alguns erros que cometemos no início da nossa história. Mas faz parte.

Assim, deliciosamente encerramos nossa entrevista, inspirados pela trajetória desta marca que percorre e ganha o Brasil com o seu doce sabor.

Para quem quiser conhecer melhor os produtos, deixo aqui o site.

Patrícia D’Ambros
Master em Design Visual,
Especialista em Criatividade para novos Negócios.
Gestora de Processos criativos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *