4 Lições do filme “O Fundador” para empreendedores

A história dos fundadores por trás de empresas mundialmente conhecidas hoje (como McDonald’s e Walt Disney) nos revelam lições importantes para empreendedores e empresários/as.

Empresas que valem bilhões nasceram na trajetória de sucessivos fracassos dos fundadores. Em 2019 McDonald’s aparecia como 9ª empresa mais valiosa do mundo (US$ 130,3 bilhões) e a Disney um pouco atrás com valor de US$ 32, 6 bilhões.

Independente de quanto valem essas empresas no mercado hoje, ambas representam o sonho americano. Seus fundadores não nasceram em berço de ouro, pelo contrário, passaram até por grandes dificuldades financeiras antes de prosperar. O que levou-os ao sucesso?

Capacidade empreendedora que leva ao sucesso

A história de Walt Disney retratada em Walt antes de Mickey  nos ensina que a persistência foi a chave para o seu sucesso. Mas ainda, por trás da persistência o que havia era um SONHADOR. Um homem visionário que via a animação de uma forma que ninguém mais acreditava ser possível. A sua motivação não era só forte o suficiente para superar os fracassos (e foram tantos!), como também para motivar todos a sua volta a trabalhar pelo seu sonho.

O empresário/a que tem sucesso é semelhante ao líder – consegue exercer influência para que as pessoas façam o que ele quer porque elas mesmo querem. Por que? Porque ele era um vendedor de sonhos.

Por outro lado o filme “O Fundador” mostra como a ambição de Ray Kroc foi determinante para ele encontrar um negócio subaproveitado e transformá-lo numa mina de ouro.

Uma vez que já falamos sobre as lições de Walt antes de Mickey, vamos encontrar as lições no filme “Fome de Poder” ou “O Fundador” que tornam-no uma ótima pedida para empreendedores.

Ray Kroc de braços abertos para o alto cercado de pessoas aplaudindo em frente ao McDonalds
Foto: reprodução

Lições de “O Fundador” para empreendedores

Astutamente o título brasileiro escolhido para o filme foi ‘Fome de Poder’ ao invés da tradução literal ‘O Fundador’. Apesar das críticas, a escolha do nome retrata bem a principal característica de Ray Kroc: sua ambição. O desejo do empreendedor pelo crescimento, por tornar-se alguém notável e representante do que é ter sucesso é a característica que o move em toda trajetória no filme.

Não vamos entrar no que é ou não verdade nessa história, já que isso implicaria uma investigação biográfica. Vamos limitar-nos a ver o empreendedor que nos mostra o filme e extrair quais são as lições que podemos aprender sob a ótica do empreendedorismo. 

Nem vamos analisar os fatores de sucesso do próprio negócio, McDonald’s. Mantemos a nossa atenção ao que pode estar no nosso controle mais íntimo: nossas capacidades individuais como empreendedores. Até porque, sinceramente, eu acredito que é o empresário/a que faz o sucesso, não o negócio em si.

São 4 as lições que eu ‘extrai’ do filme em relação ao Ray Kroc, o fundador:

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1. Identificar e exercitar nossos Talentos Únicos

Ray tem um talento único: vende bem, quer dizer tem oratória. É claro que não nasceu sabendo, foi um talento desenvolvido ao longo de 17 anos de carreira como vendedor, antes de chegar ao McDonald’s.

Ele sabe do que é capaz como orador e utiliza-se dessa capacidade a favor do negócio (e antes de possuí-lo) diversas vezes. Ele angaria recursos, atrai sócios para as franquias, influencia-os a seguirem as diretrizes da marca.

2. Acreditar no nosso Radar de Oportunidades

O empreendedor/a que dá ouvidos aos seus sentidos pode considerar-se um passo a frente dos demais. Isso porque identificar oportunidades vem às vezes como um insight, uma grande ideia. A estratégia de sucesso do Radar de oportunidades é desvelar esse insight/ideia buscando fatos que comprovem a oportunidade.

Nosso protagonista revela-se um bom ouvinte do seu Rada. Ele compreende que o restaurante não era como outro qualquer, ele apresenta um diferencial que parecia extremamente conveniente, servindo comidas rápidas, em um momento que a sociedade americana estava mudando.

3. Arriscar – dedicar tempo e investir dinheiro

Negócios não dão em árvores, mais se assemelham a elas próprias. São sementes (ideias) que plantamos, regamos, nutrimos e cuidamos (com tempo e dinheiro) até que aos poucos cresça e torne-se uma árvore frutífera (empresa lucrativa).

No filme, a dedicação de Ray é evidente e beira ao esgotamento às vezes. Ele investe e compromete-se com empréstimos para poder armar as novas lanchonetes no país. O tempo que o fundador deposita é reflexo do tamanho do motivo pelo qual empenha-se em dar certo.

4. Não fazer nada menos do que Excelente

Pode ser um chefe chato, que está sempre chamando a atenção, mas o fato é que Ray Kroc era um adepto da cultura de excelência e isso tornava os produtos e serviços do restaurante espetacular. ‘Não faça nada menos do que excelente’ foi um lema repetido no filme. E nós aprendemos.

Sabemos como consumidores que o McDonald’s até hoje persegue a excelência, de fazer o mais próximo possível do mesmo sabor do hambúrguer em todo lugar e da mesma qualidade de serviço. A Excelência aliada à padronização sem dúvida merece destaque na capacidade empreendedora do fundador.

Modelos de sucesso empreendedor Sonhos x Ambições

Analisando a trajetória desses dois empreendedores retratada nos filmes (Walt e Ray), eu vejo dois modelos de capacidade empreendedora muito diferentes, mas que chegam ao mesmo lugar: sucesso, grandeza, conquista.

De um lado um sonho, revolucionar a animação e o cinema. De outro, a sede pelo poder, sucesso, a vontade de superar-se. São ingredientes diferente que funcionam muito bem para um elemento essencial para criar empresas: a persistência.

Quem persiste precisa de um MOTIVO forte, motivo este que leva a termos a motivação diária para atravessar pequenos e grandes desafios de gerir empresas:

  • Pessoas fecham as portas para nós.
  • Não vendemos o quanto esperamos.
  • Alguns momentos não há dinheiro para pagar as contas do mês.
  • Perde-se dinheiro investido.
  • Pessoas não acreditam no potencial da nossa ideia/negócio.
  • Passamos por crises financeiras.
  • Colaboradores/parceiros/sócios desconectam-se.

A lista é grande de desafios, sabemos nós empreendedores. Se não houver motivação suficiente para persistir, certamente desistimos na primeira esquina/dificuldade. Encontramos, então, pelo menos duas formas de gerar tal motivação: ter um sonho grandioso ou uma ambição.

Embora o destino seja o mesmo em termos de sucesso de negócio, o caminho é muito diferente, como vemos nos filmes. Walt influencia e encanta por seu propósito, ela não é o rei da oratória, mas as pessoas atraem-se a ele e permanecem leais pela conexão com o sonho. É fascinante a forma como ele convence, sem dinheiro algum, os primeiros colaboradores a juntarem-se a ele. Não havia nada tangível, ainda não havia negócio, só havia um sonho e um sonhador.

A ambição de Ray, demonstrada do filme, leva a atitudes que questionam a ética e a honestidade e que justificam-se pelos fins. Foi certo ou foi errado o que ele fez com os irmãos McDonald’s? Parece que para Ray era o mais adequado a fazer, tendo em vista que os irmãos não enxergavam o potencial que tinham nas mãos. Certo ou errado, o McDonald’s é hoje o que é por causa da ambição de Ray Kroc.

Sucesso é grandiosidade, encanto, inovação, resultados, e pode ser conseguido de diversas formas. Todas elas moldam-se nas nossas próprias capacidades e valores como empreendedores.

Então, cabe a você decidir!

RafaelaSanzi

Rafaela P. Sanzi
Master in Business Administration.
Especialista em empreendedorismo e inovação.
Consultora empresarial.

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